Economia colaborativa: quando o meu e o seu se torna o nosso

economia_colaborativaOs negócios tradicionais definham. Se estrangulam (e a seus colaboradores) para sobreviver mais um pouco. É hora de mudar. Uma nova forma de economia, a Economia Colaborativa, chega para transformar uma produção altamente hierarquizada que se sustenta pela exploração de colaboradores sem qualquer poder de decisão em um modelo horizontal, sustentado pelo ideal de que todos podem partilhar do sucesso comum.

O grande vilão do modelo tradicional foi ele próprio: o modelo tradicional. Isso mesmo. Mas a mudança não foi tão radical quanto parece: ela caminhou aos poucos, a ideia vem se desenvolvendo há bastante tempo e somente nos últimos anos que esse novo modelo ganhou força (e visibilidade) necessários para afetar de vez nossos meios produtivos e nossa forma de produzir riqueza.

Defina riqueza. Pois, o que é riqueza para um pode não ser para outro.

great_gatsby-1280x750Enquanto algumas pessoas se intoxicam lentamente em seus escritórios em busca de recompensas financeiras para as frustrações que elas mesmas infligem em sua vida em um ciclo infinito em busca do suposto sucesso profissional e da suposta independência financeira, outras buscam na paz de se “desligar do sistema” a sua felicidade. O que é felicidade para mim? O que é felicidade para você? Mais ainda: o que é sucesso?

Nossos pais, viventes dos modelos tradicionais da economia (em grande maioria), tendem a definir sucesso como você aposentar com um excelente “pé de meia”. Acumular riquezas tais que, ao deixar de trabalhar, você possa vivenciar tudo o que sonhou: de viagens a gastronomia, além de, claro, poder aproveitar sua própria família.

A geração atual rompe, drasticamente, com vários ideais das gerações anteriores e, em especial, com os conceitos de sucesso e felicidade. Para uma parcela significativa da geração atual é bem mais satisfatório ganhar menos e ter mais liberdades que ganhar mais mas estar enjaulado em um escritório “padrão”.

O modelo proposto pela economia colaborativa surge anos antes, mas ganha força pela quebra de conceitos e pela facilidade que as pessoas tem, hoje, em abandonar seus trabalhos, sem medo de se arriscar (mesmo que isso lhe cause algumas dificuldades ao longo do caminho). A economia colaborativa cresce porque as pessoas cansaram de serem mandadas. Mas elas também entendem que mandar não resolve.

Chefe X Líder

ball-machineOutro problema do modelo tradicional é a figura do chefe.

Aquela pessoa que delega tarefas no mesmo ritmo que uma máquina arremessa bolas de tênis: sem parar, sem se importar se o jogador (a equipe) está pronto, sem se importar com mais nada.

Essa figura não inspira confiança: ela inspira medo. Ela governa pelo medo, geralmente da demissão. A força que ela tinha é inteiramente oriunda da necessidade de estabilidade que as gerações anteriores tinham com relação ao seu emprego (algo que, como já apresentei antes, acaba com a geração atual).

Surge a figura do líder. Alguém que ao invés de comandar, inspira. Alguém que atrai. Que nos faz ter vontade de seguir.

A essência colaborativa

A economia colaborativa é, obviamente, por essência um modelo colaborativo, ou seja, onde as pessoas podem compartilhar de um mesmo recurso, organizadamente, em prol de um bem comum a todos. E o maior exemplo disso vem de uma furadeira: você precisa de uma furadeira ou de um furo na parede? Então ao invés de comprar uma furadeira, que tal alugar por uma pífia fração do preço de compra, e resolver seu problema?

Das necessidades de uma comunidade surgem as ofertas. Não temos aqui grandes players de mercado tentando enfiar produtos goela abaixo de seus consumidores mas, ao contrário, temos pessoas com demandas similares se organizando em busca de alguém que possa supri-la.

Vemos, por exemplo, desde empresas que surgem para que pessoas ofereçam seus trabalhos como pequenas tarefas de manutenção de casas, até o surgimento de negócios onde vários produtores se unem para entregar produtos finais sob uma marca que ganhará muito mais força. Vemos amigos que se unem para o sucesso de todos em empresas que surgem com os ideias de horizontalidade e que permitem que todos possuam poder de decisão.

software-for-coworking-spaces-2Uma pesquisa na Austrália, por exemplo, mostrou que 14% dos entrevistados já ouviram o termo “economia colaborativa” e que quase metade dos entrevistados relacionaram a expressão a atividades como carona solidária, intercâmbio de residências, financiamentos coletivos, compartilhamento de automóveis e de ambiente de trabalho.

Aliás, o compartilhamento do ambiente de trabalho é um excelente exemplo de economia colaborativa que, mesmo no Brasil com seu peso esmagador de legislações e burocracias, tem conquistado mais e mais espaço: ao invés de você alugar uma sala grande demais para o seu negócio, ou de ficar preso em casa em home-office, você paga um valor pequeno (especialmente se comparado ao custo total que teria para montar seu próprio escritório) e compartilha um ambiente produtivo com várias outras pessoas na mesma situação. De bônus, networking.

 

É chegada a hora de parar de analisar como o mercado pode responder à sua empresa e se perguntar: como a sua empresa pode se tornar parte do mercado? Em essência, como crescer com o mercado, ao invés de através da conquista dele?

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