Segunda Sem Carne: além da moda

O blog nem começou e já tem uma bomba no seu colo: é mesmo necessário ter carne todos os dias do ano na sua mesa? E em mais de uma refeição por dia?

É inevitável: não estaríamos onde estamos hoje se não fosse nosso passado carnívoro. Mais precisamente do tutano. Segundo pesquisadores, foi exatamente o tutano dos ossos que o homem recolhia após outros predadores caçarem (não éramos caçadores no começo) que permitiu que nosso cérebro se desenvolvesse.

Alguns vários milhões de anos mais tarde, aqui estamos. Escrevendo blogs, publicando vídeos, tirando fotos. Caçar não faz mais parte do nosso dia a dia: vamos no mercado e compramos tudo pronto, até mesmo temperado, em alguns casos.

Mas uma coisa é certa: desde que o homem descobriu como manipular o fogo e assar alimentos, existe uma paixão global por um bom pedaço de carne temperado e assado até à perfeição. Uma paixão que de apenas sentir o cheiro nosso instinto é salivar e desejar, mesmo sem sequer ver a possível refeição.

Exemplo de uma cadeia de aminoácido

Em uma dieta básica é necessário que o corpo receba uma dose de aminoácidos para que continue funcionando. Isso ocorre pela ingestão de proteínas, sendo sua fonte mais comum as carnes. Os aminoácidos interferem, direta ou indiretamente, em todo o nosso corpo: sangue, ossos, cartilagens, músculos, pele, pelos, sistema nervoso e células em geral.

Seria importante, portanto, consumir carne o tempo todo. Especialmente considerando que ela é um potencial aliado à perda de peso (por conter menores níveis de carboidratos que outros alimentos e por ajudar na saciedade), seria um alimento praticamente perfeito.

Seria. Mas estudos recentes têm associado o alto consumo de carne com o aumento da incidência de câncer colorretal. Outros estudos vinculam o consumo de carne à diabetes tipo 2, a diversos problemas cardíacos e outros distúrbios em geral.

O prolema com o consumo de carnes começa com um problema nas nossas medidas.

O que antes era um consumo em pequenas doses, poucas vezes na semana, se tornou um padrão de consumo diário, em um ciclo industrial voltado não para satisfazer nossas necessidades de aminoácidos mas, sim, para satisfazer a necessidade de lucro dos produtores e lojas.

foiegras6Para suprir a demanda altamente lucrativa do mercado de produtos animais (não apenas da carne), os meios de produção se tornaram verdadeiras máquinas de tortura e exploração descontrolada.

O maior exemplo disso está no clássico Foie Gras: gansos e patos alimentados forçadamente e enjaulados para que ocorra a engorda do fígado.

É muito cômodo fingir que tudo faz parte de intrigas feitas por pessoas que sequer entendem o meio animal, mas diversos documentários mostram a realidade nas fazendas de gado e durante a cadeia de produção dos alimentos de origem animal.

Além disso, uma vez fui pego de surpresa com o comentário: o que define a linha que separa os animais que eu gosto dos que eu mato? Ou seja, o que distingue um cão (considerando que em várias culturas eles são unicamente animais de estimação) de uma vaca (que na maioria das culturas é um animal que ou provê alimento – leite – ou serve ele mesmo de alimento)?

A discussão vai longe. E esse post jamais teria fim. Então, vou mandar logo o link da iniciativa Segunda Sem Carne pra você descobrir mais sobre essa ideia. Quem sabe você não resolve também abrir mão de carne um dia na semana (nem é tão difícil assim, poxa) e descobrir outros sabores?

Se você se interessou sobre o porque devemos ingerir menos carne (não estou falando de se tornar vegetariano, apenas reduzir o consumo e ser mais consciente nas suas escolhas), dá uma lida nesse website aqui: Why Eat Less Meat

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